quarta-feira, 10 de março de 2010

Esperança para a rodovia da morte


Passava das 23h30 de 11 de março de 2009 quando 16 universitários matriculados em Belo Horizonte voltavam para casa, em Caeté, na região metropolitana. A van em que estavam foi esmagada por um caminhão carregado de vergalhões, que invadiu a pista contrária na macabra curva do km 435, antigo km 30, matando cinco estudantes, de 19 a 28 anos, e o motorista do transporte escolar, de 52. Um ano depois, as intervenções emergenciais prometidas pelo governo federal aos parentes das vítimas ainda não foram executadas. A chamada rodovia da morte continua fazendo vítimas e a esperança agora está nas palavras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ontem, ele garantiu, em coluna semanal para os jornais, que a duplicação da 381 será incluída na fase dois do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e será feita com recursos da União. Lula prometeu também investimentos para a BR-262, com duplicação dos trechos de maior movimento entre Belo Horizonte e Vitória. “As duas rodovias nos causam grande preocupação e têm merecido toda a atenção. Com essas medidas, espero que possamos garantir o máximo de segurança aos usuários”, disse o presidente.

A novela da duplicação da BR-381, no trecho de 311 quilômetros entre BH e Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, dura mais de 10 anos e só depende da vontade do governo federal para um final feliz. O último capítulo antes da promessa de Lula, foi uma ducha de água fria em quem esperava por uma nova estrada. O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, anunciou, na semana passada, o arquivamento do projeto da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que pretendia abrir licitação para que a iniciativa privada fizesse a duplicação da rodovia e a administrasse posteriormente, com cobrança de pedágio. A ANTT confirmou o cancelamento do edital, que estava sendo analisado pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

O Ministério dos Transportes estava dividido entre o projeto da ANTT e outro do Departamento Nacional de Infraestutura de Transportes (Dnit), que prevê a reconstrução da BR-381. De Belo Horizonte a Governador Valadares são mais de 500 curvas, 200 delas em pouco mais de 100 quilômetros entre a capital e João Monlevade, na Região Central, trecho considerado o mais perigoso. Segundo o Dnit, o traçado seria mudado com a construção de túneis, mais de 100 pontes e viadutos e uma variante entre Monlevade e Nova Era. Esse projeto, com o descarte da proposta da ANTT, pode finalmente sair do papel se a obra for realmente incluída no chamado PAC-2.

Pelo menos algumas providência já estão tomadas. O Dnit informou que em outubro do ano passado foram conhecidas as empresas vencedoras da licitação para a criação do projeto executivo. Pelo prazo contratual, as empreiteiras precisam apresentar um estudo final até julho. A expectativa é de que PAC-2 seja disparado no início do segundo semestre o que permitiria a contratação imediata das obras na 381. As máquinas entrariam em ação em 2011, com prazo de quatro ano para conclusão do serviço, ou seja, em 2015. De acordo com o Dnit, o Ministério dos Transportes assegurou para a 381 cerca de R$ 3 bilhões do PAC-2.

PRECARIEDADE Até que a rodovia seja reconstruída, a morte continuará rondando os viajantes nas curvas de pista simples, no asfalto esburacado e na sinalização precária, muitas vezes coberta pelo mato. De acordo com a ONG SOS Rodovias Federais de Minas, 138 pessoas morreram nos locais de acidentes entre BH e Monlevade no ano passado. “Outras 1.248 pessoas ficaram feridas gravemente, das quais 40% morreram a caminho do socorro ou nos hospitais, o que aumenta para mais de 500 mortos”, ressaltou o especialista em trânsito, transporte e assuntos urbanos José Aparecido Ribeiro, presidente da ONG. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) não divulgou as estatísticas do ano passado.

Entre as vítimas da van que transportava universitários de Caeté estava o estudante de geografia Albert Silva Syrio, de 23 anos. Por pouco o sofrimento da família do rapaz não foi maior. O irmão dele, Adahyr Geraldo Syrio Júnior, de 29, também estava no veículo e escapou. Para não passar pela rodovia da morte diariamente, ele desistiu do curso que fazia na capital. Mas continua a aflição de Eliane Maria da Silva Syrio, de 59, mãe de Albert e Adahyr. “Não tenho sossego, pois meu filho mais novo trabalha em Belo Horizonte e faz o percurso de ida e volta todos os dias.”

Ela contou que os parentes das vítimas no trágico acidente, que amanhã completa um ano, lotaram um ônibus e seguiram para Brasília, em julho, onde foram recebidos por representantes do governo federal. “Prometeram a instalação de radares e nova sinalização em caráter emergencial. Não fizeram nada e todos os dias morre gente na 381. O que mais dói é o descaso. Não acredito que vão fazer alguma coisa este ano, em que o foco estará voltado para a Copa do Mundo e para a campanha eleitoral”, lamentou. Nem as manifestações de todos os meses, no 13, com o fechamento da estrada, sensibilizou as autoridade. No próximo sábado será celebrada missa em homenagem às vítimas da tragédia com a van.

Quem dirige na rodovia a trabalho também cobra mais empenho, como o caminhoneiro Benedito Custódio de Souza, de 49: “Já passou da hora de duplicarem a 381, que não tem a mínima estrutura para tanto carro”. “De Belo Horizonte a Caeté a gente passa por muitos apuros. A sinalização é péssima”, disse Valter da Costa, de 26, que faz o trajeto entre as duas cidades diariamente, transportando queijo.

Para o presidente da SOS Rodovias Federais de Minas, as intervenções na BR-381 é questão de segurança nacional. “Em pelo menos 25 curvas, entre elas onde ocorreu a batida com a van de estudantes, o número de acidentes graves em 2008 foi maior que 80. É preciso que sejam instalados, com urgência, redutores de velocidade e sinalização diferenciada nos trechos perigosos”, disse Ribeiro. Segundo ele, os recursos para a reconstrução da rodovia foram garantidos para este ano depois da intervenção da Confederação Nacional dos Transportes (CNT). “O governo federal ia deixar esse dinheiro fora do PAC-2, o que é muito grave”. A CNT não confirma sua intevenção junto ao Ministério dos Transportes.

Fonte: Jornal Estado de Minas 10/3/2010
Arielle Duarte Alves: É muito importante que se duplique uma rodovia tão perigosa, a única coisa ruim é o tanto de vidas que já foram perdidas e não serão recuperadas nunca. Infelizmente, teve que morrer muita gente para que se tomasse alguma providência, e até a conclusão desse projeto, mais gente irá morrer e sofrer. Por isso vai de cada um que tenha cuidado ao dirigir, não só na 381 mas como em qualquer coutra BR ou até mesmo dentro das cidades. Dirija com cuidado, assim pode conservar não só a sua vida, mas como de muitas outras pessoas, evitando acidentes de todos os tipos.

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